Monday, June 27, 2005

Abaixo Assinado

Ensino de qualidade, só com estágios de verdade


Os alunos dos estabelecimentos de Ensino Superior que possuem nos respectivos planos curriculares a realização de um estágio pedagógico e também os orientadores de estágio e os professores que se preocupam com o futuro da formação inicial de professores e com a qualidade do ensino em Portugal não aceitam alterações que ponham em causa:

A defesa dos ramos de formação educacional e de estágios qualificantes;

A qualidade do ensino e do futuro da profissão docente.

O actual modelo de Estágio Pedagógico regulamentado pela portaria nº 659/88 atribui ao professor estagiário a responsabilidade de planificar, leccionar e avaliar duas turmas numa escola do ensino Básico/Secundário devidamente supervisionado por professores orientadores das respectivas escolas e faculdades de acordo com as orientações do Ramo de Formação Educacional. Trata-se de um tipo de estágio que proporciona ao futuro professor as condições de uma prática lectiva mínima, um trabalho colectivo de reflexão no seio do núcleo de estágio e da comunidade escolar a que pertence, prevenindo e corrigindo eventuais erros e salvaguardando, deste modo, um ensino de qualidade;
Neste modelo, e dado que os estagiários são qualificados e têm as habilitações legalmente exigidas para ensinar e ainda as obrigações contratuais de qualquer professor (cumprimento de horários, dever de dar um programa e avaliar os alunos, supervisionamento de exames, etc.), eles são integrados na chamada “pré-carreira” docente e o seu tempo de serviço é contado; face aos direitos consagrados no estatuto da carreira docente, não poderia ser de outra maneira;
Ao pretender pôr termo abruptamente a este modelo de estágio, o Governo deixa aos futuros professores as seguintes “alternativas”:

Os estagiários não mais leccionarão qualquer turma no seu ano de estágio, limitando-se a assistir a algumas aulas de professores “orientadores” e, eventualmente, a dar algumas das aulas destes;
Os estagiários não são devidamente avaliados nem acompanhados no decurso de um ano lectivo, no que diz respeito à prática da leccionação: elaboração e aplicação de planificações e planos de aula, avaliação dos alunos, utilização de materiais pedagogicamente adequados e todas as outras actividades inerentes à prática docente;
Os estagiários estão sujeitos às escolas que os aceitem nestas condições e pagam todas as despesas, inclusive de deslocação e materiais, não tendo direito a bolsa dos Serviços de Acção Social.

Quem pode acreditar que este tipo de estágio, designado “prática pedagógica supervisionada” prepara os futuros professores para o exercício da profissão docente com um mínimo de qualidade?
Pretender-se-á voltar aos tempos em que não existiam Ramos Educacionais nas faculdades e os professores começavam a ensinar nas escolas sem o mínimo de preparação pedagógica, adquirindo-a à custa da sua própria experiência e erros?
Estas medidas vêm contrariar a posição defendida pelo Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior:

Portugal precisa da concretização urgente desse plano [tecnológico], para que um autêntico desafio de exigência e de conhecimento, tecnológico, científico, educacional, cultural nos eleve aos níveis de competência e de produtividade dos países mais desenvolvidos.[1]

Assim, as alterações ao modelo de estágio representam uma verdadeira regressão na formação inicial da carreira docente e são inaceitáveis, para além de terem consequências imprevisíveis na qualidade do ensino e na qualidade da formação dos alunos.

Por isso nos dirigimos a todos quantos se preocupam com a qualidade do ensino, em particular às Associações de Estudantes e de Pais e aos Sindicatos dos Professores:

É NECESSÁRIO QUE NOS UNAMOS – ESTUDANTES, PROFESSORES E AS SUAS ORGANIZAÇÕES REPRESENTATIVAS:
EM DEFESA DOS RAMOS DE FORMAÇÃO EDUCACIONAL E DE ESTÁGIOS DE QUALIDADE
EM DEFESA DO FUTURO DA PROFISSÃO DOCENTE
PELA REVOGAÇÃO DAS MEDIDAS DO PLANO DO GOVERNO QUE PÕEM EM CAUSA OS RAMOS DE FORMAÇÃO EDUCACIONAL TAL COMO EXISTEM


Ensino de qualidade, só com estágios de verdade

Os alunos dos estabelecimentos de Ensino Superior que possuem nos respectivos planos curriculares a realização de um estágio pedagógico e também os orientadores de estágio e os professores que se preocupam com o futuro da formação inicial de professores e com a qualidade do ensino em Portugal não aceitam alterações que ponham em causa:

A defesa dos ramos de formação educacional e de estágios qualificantes;

A qualidade do ensino e do futuro da profissão docente.

[1] 21 de Março de 2005

Estágios - Resumo dia 25/06/2005

Olá a todos de novo!

Peço desculpa por não ter enviado ainda ontem (como podem imaginar, a reunião arrastou-se pela noite dentro…) o resumo do que se passou na reunião com representantes das várias faculdades que tinham estado presentes na Assembleia na sexta-feira, dia 24. Assim, à reunião foram: três representantes da nossa faculdade (FCSH/UNL), eu (Diana Pais), a Emanuela Costa e o Sérgio Inácio, de Filosofia, três representantes da Faculdade de Motricidade Humana, dois representantes da Universidade Lusófona, uma representante da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e uma professora orientadora de estágios na Escola Secundária de Casquilhos, no Barreiro.Primeiro, vimos até que ponto as nossas situações são semelhantes e percebemos o que é que existe de diferente no Ramo de Formação Educacional de cada Faculdade, para assim podermos chegar a um denominador comum a partir do qual delinearíamos projectos e redigiríamos um ou mais documentos que fossem representativos de todos.Feito esse balanço, elaborámos dois documentos conjuntos que a partir daqui serão a base das nossas acções:- um comunicado/exposição resumido/a da nossa situação, explicando o que está em causa e que vai começar a ser entregue EM MÃOS já na próxima segunda-feira (em associações de pais, escolas, órgãos de comunicação social, sindicatos, etc.) – assim, segunda-feira, e muito rapidamente, temos de repartir tarefas e trabalhar o mais depressa possível para alertar cada vez mais gente e mais instituições;- um abaixo-assinado, basicamente com os argumentos apresentados na exposição anterior (os dois documentos são bastante parecidos, apenas têm algumas diferenças formais e poucas de conteúdo) e que, também a partir de segunda, circulará para que se recolham assinaturas (toda a gente pode assinar – apenas tem de especificar nome e profissão e se for algum cargo ligado ao ensino convém que ele apareça).Para além destes dois documentos (pelo menos o comunicado ainda vos devo enviar hj, o abaixo-assinado também já está feito mas organizamos a distribuição a partir de segunda-feira na FCSH – as outras faculdades organizam-se da sua maneira), preparámos os dossiers a entregar também na segunda-feira na Assembleia da República a cada grupo parlamentar (excepto PS – que é para não lhes fornecermos dados com que possam “contra-atacar”!) e também à comissão de Educação, Ciência e Cultura do Dr. António José Seguro, a quem pedimos uma audiência com urgência na passada sexta-feira. Nos dossiers que já estão prontos e que tenho em minha posse segue uma cópia do comunicado expondo a situação (nós definimo-nos sempre como «Os alunos dos estabelecimentos de Ensino Superior que possuem nos respectivos planos curriculares a realização de um Estágio Pedagógico»), uma nota explicando que outros documentos importantes e relevantes que entretanto surjam serão entregues ao longo da semana na Assembleia e uma cópia de uma série de documentos com posições oficiais das várias faculdades atingidas, estatutos dos estágios pedagógicos, um parecer ao Tratado de Bolonha que defende a continuidade deste modelo e o famoso fax da DREL a cancelar todo o processo que, finalmente, conseguimos e que muito nos tinha sido pedido na Assembleia.Estivemos sempre em contacto com a nossa Associação de Estudantes (aefcsh) que nos cedeu o seu espaço para redigirmos, fotocopiarmos e tratarmos de tudo o que foi necessário. Eles têm sido verdadeiramente impagáveis e sem eles teria sido impossível dar todos estes passos! Eles tratam, como estava combinado, da convocação de todas as associações de estudantes do país para a reunião de terça-feira, no espaço deles, às 19h (EM QUE TOD@S TEMOS DE APARECER!!!!!!!), embora não possam prometer a vinda de todas. De qualquer forma, contactámos telefonicamente com a Associação Académica de Coimbra e, à partida, eles estarão cá na reunião e virão no dia 1 de Julho. Não podemos deixar que eles venham e que nós cá não estejamos COMPLETAMENTE MOBILIZADOS, portanto tod@s temos de estar presentes!Estamos a tentar chegar por outras vias a estudantes das várias faculdades atingidas por este novo modelo de estágio, dado que muitas associações de estudantes estão a boicotar a sua participação activa, por isso FALEM COM TODA A GENTE QUE CONHEÇAM NAS VOSSAS OU NOUTRAS FACULDADES, PASSEM A INFORMAÇÃO (O COMUNICADO E A LISTA DAS PRÓXIMAS ACÇÕES) E FAÇAM COM QUE ELES SE JUNTEM A NÓS!Também é importante que todos os que tiverem contactos dentro de órgãos de comunicação social façam chegar a informação mais rapidamente lá dentro e asseguram cobertura mediática no dia 1 de Julho frente à Assembleia. Para coordenar esses contactos com aquilo que já temos, dirijam-se à nossa Associação de Estudantes no início da próxima semana e combinem com eles os passos a dar.

POR FAVOR, REENCAMINHEM ESTA MENSAGEM PARA TODOS OS INTERESSADOS!!!Obrigada!Beijos

Diana Pais (diana-pais@clix.pt; diana_pais@msn.com; 96 6276886 ou 21 8141571)

Estágios - Resumo dia 24/06/2005

Olá a todos!
Não vos trago propriamente novidades mas antes um resumo daquilo que fizemos hoje e do que ficou agendado para os próximos dias.Como sabem (isto também serve para informar quem não foi à manifestação de hoje, dia 24 de Junho de 2005), hoje assistimos ao debate mensal na Assembleia da República em que se focou, sobretudo, o tema da Educação. A questão dos estágios foi levantada apenas por dois deputados, já no final, um do grupo parlamentar Os Verdes, o outro do Partido Popular. O Primeiro-Ministro apenas respondeu ao primeiro, mas de forma muito lacónica e percebeu-se que não está suficientemente a par do assunto. Disse só que na situação em que o país se encontra não há condições para nos assegurarem a remuneração (focou-se sempre muito na questão da remuneração), mas disse que os estágios terão lugar e que haverá bolsas e ajudas de custo – mas tudo isto muito no ar e sem nenhum documento que, realmente, nos ofereça certezas e segurança. Além de que o que queremos é o modelo de estágios até aqui vigente e isso parece estar fora de questão na agenda e nos projectos deles…Depois do debate organizou-se a manifestação (estava pouca gente – há muitos que continuam a não aparecer!!! O que é que se passa????) em frente à Assembleia. Estavam presentes alunos de cinco faculdades de Lisboa: a nossa, a de Motricidade Humana, a de Ciências da Universidade de Lisboa, a de Letras e a Universidade Lusófona.Um deputado do PP (João Almeida, que já tinha levantado a questão durante o debate) veio cá fora falar connosco, mostrar apoio e pedir que lhe fossem enviados todos os documentos importantes que temos em nossa posse relativos ao novo modelo de estágio, posições oficiais das faculdades, comunicado da DREL, etc.. Entretanto, representantes das várias faculdades presentes foram recebidos por dois deputados do PCP – Luísa Mesquita e Manuel Tiago – que ouviram todas as questões específicas de cada uma das faculdades e as reivindicações conjuntas. O PCP já tinha redigido um requerimento relativo à nossa questão e que é um dossier muitíssimo completo acerca na imposição do novo modelo de estágios e das implicações muito negativas que a sua aplicação terá. A deputada Luísa Mesquita está completamente dentro do assunto, até porque foi professora e orientadora de estágios durante anos e anos. No entanto, não nos pode dar grandes esperanças, porque diz que isso seria desonesto da sua parte. Diz que a nossa questão é apenas uma peça num conjunto imenso de medidas que são a maior afronta à educação desde o 25 de Abril e que, por isso mesmo, é difícil conseguir dar a volta ao Governo. Mas acha também que de forma alguma nos devemos render, até porque a razão está toda do nosso lado e é importantíssimo que estejamos empenhados e mobilizados para não deixar passar o nosso caso como se nada fosse. Considera, como nós, que as implicações desta decisão são muito graves e que temos mesmo de fazer alguma coisa. A deputada pediu-nos também toda a documentação reunida até agora (estamos a tratar disso) para poder agir o mais rapidamente possível e deu-nos também alguns conselhos para orientarmos os próximos passos da nossa luta. Assim, redigimos logo depois da reunião um pedido de audiência com o Dr. António José Seguro, presidente da Comissão de Educação, Ciência e Cultura, que será alguém com peso junto do governo e um eventual aliado nosso. O pedido já foi entregue, portanto esperamos resposta para breve (pedimos que a audiência tivesse lugar antes de dia 29 deste mês).Entretanto, estamos a reunir documentação, nomeadamente junto do director da nossa Faculdade (precisamos que revelem num comunicado o conteúdo do fax enviado pela DREL a declarar o processo de atribuição dos estágios bloqueado – não nos podem dar o original já que se trata de um documento institucional).Os próximos passos são:-
reunião de alguns representantes das várias faculdades de Lisboa amanhã, dia 25 de Junho, às 15h, na Gulbenkian, no sentido de coordenar esforços, estabelecer contacto com outras faculdades do país, nomeadamente Coimbra, e tomar algumas decisões necessárias (eu sou uma das pessoas que vão estar presentes nessa reunião e à noite envio-vos um resumo do que se passou, ok?)- DIA 28 DE JUNHO, TERÇA-FEIRA, 19H, ESPAÇO DA ASSOCIAÇÃO DE ESTUDANTES DA FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAS E HUMANAS (Av. de Berna, metro: Campo Pequeno): REUNIÃO EM QUE TODOS DEVERÃO ESTAR PRESENTES E EM QUE VÃO ESTAR AS VÁRIAS ASSOCIAÇÕES DE ESTUDANTES DAS FACULDADES ENVOLVIDAS E TAMBÉM OS VÁRIOS ESTUDANTES IMPLICADOS/INTERESSADOS NESTE PROCESSO. APAREÇAM!- DIA 1 DE JULHO, SEXTA-FEIRA, MANIFESTAÇÃO EM FRENTE À ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA (vamos tentar que venham todos os estudantes envolvidos/interessados do país) A PARTIR DAS 10H – nesse dia, a ministra da Educação estará na assembleia para o debate e votação na especialidade no pacote legislativo que nos afecta. APAREÇAM!Bem, acho que referi os pontos mais importantes. Amanhã envio um resumo do que se passou na reunião.Por favor, REENCAMINHEM ESTA MENSAGEM PARA TODOS OS AFECTADOS / INTERESSADOS!!!!Podem entrar em contacto comigo via e-mail ou telefone, se precisarem: 96 6276886 / 21 8141571.Beijos para tod@s! E não desistam! Nós temos razão!
Diana Pais – FCSH/UNL

Posição do Senado de Coímbra

Posição do Senado da Universidade de Coimbra sobre o Decreto-leique aprova a terceira alteração ao Estatuto da Carreira dos Educadores deInfância e dos Professores do Ensino Básico e Secundário, no âmbito doPlano de Estabilidade e Crescimento, aprovado em Conselho de Ministros de2 de Junho de 2005.


O Modelo de Formação inicial de professores em curso na Faculdade deLetras, na Faculdade de Ciências e Tecnologia e na Faculdade de Ciências doDesporto e Educação Física da Universidade de Coimbra, apresenta-se como umsistema de grande valor para a prática pedagógica e científica em Portugal. Aomesmo tempo que se realiza a formação inicial de docentes para os EnsinosBásico e Secundário, promovem-se sinergias muito significativas entre estesníveis de ensino e o Ensino Superior, que têm permitido a diversificação dainvestigação científica, a difusão da informação e da inovação, a articulaçãodas relações entre os espaços centrais (normalmente o litoral) e os espaçosperiféricos (normalmente o interior) e a multiplicação de actividadescientíficas e culturais no âmbito dos projectos das escolas.
Assumindo estas características como fundamentais, parece-nosinaceitável a alteração ao Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância edos Professores do Ensino Básico e Secundário, tal como foi decidido emreunião de Conselho de Ministros de 2 de Junho de 2005.
As alterações introduzidas vêm pôr um final abrupto no modelo deformação vigente que, apesar de nunca ter sido formalmente avaliado, nosparece ter um elevado nível qualitativo, sem que seja criada uma alternativade formação, cujas garantias de qualidade e eficácia sejam sustentadas numadiscussão alargada a todos os intervenientes no processo. A coberto de umamedida que visa reduzir os custos, retirando a justa remuneração dosprofessores estagiários, põe-se não só em causa a prática pedagógicanecessária à formação adequada de docentes para o Ensino Básico e Secundário, mas também a sua integração efectiva numa comunidadeeducativa, componente indispensável para a preparação do docente em todasas vertentes da sua actividade no meio escolar.
Mesmo podendo aceitar ajustamentos ao modelo de formação actual,parece-nos absolutamente injustificado e contraproducente que as medidasagora anunciadas produzam efeitos já no próximo ano lectivo. De facto, paraalém de serem goradas as naturais expectativas de formadores, orientadores deestágio e particularmente dos professores estagiários, inviabiliza-se muito dotrabalho já realizado nas Faculdades e nas escolas de ensino básico esecundário que com elas têm vindo a colaborar.
Assim, solicitamos que antes de quaisquer alterações ao Estatuto daCarreira dos Educadores de Infância e dos Professores do Ensino Básico eSecundário, sejam avaliados os actuais processos de formação inicial deprofessores e se promova a participação de todos os agentes institucionaisenvolvidos. É por isso que o Senado da Universidade de Coimbra considerainaceitáveis estas alterações, solidarizando-se com todas as pessoas que serãoeventualmente afectadas.


Coimbra, 9 de Junho de 2005
Aprovada por unanimidade na reunião do Senado da Universidade de Coimbra

O défice de qualidade DA FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES

A prática profissional garantida pelo Estágio Pedagógico é feita em Portugal segundo padrões nunca unificados, avaliados ou aperfeiçoados. Existem hoje dois formatos de iniciação à prática profissional: (1) um formato para os educadores de infância e professores do Ensino Básico (1º e 2º ciclos) e (2) um formato para os Ensinos Básico (3º ciclo) e Secundário. Ambos são incompatíveis e inconciliáveis e, muito importante, não me parece que exista alguma vantagem em torná-los compatíveis e conciliáveis. O primeiro formato baseia-se numa formação completamente integrada, inclusiva e gerida de forma homogénea (concurrent model); o segundo formato consiste numa formação integrada (na maior parte das instituições universitárias) ou numa formação não integrada (combinação entre uma licenciatura e uma pós-graduação), conhecido por consecutive model. Este segundo formato não é homogéneo e envolve modelos de formação muito diversificados, mas em todos os casos sem promover a integração formal dos professores das escolas cooperantes, que não perdem o seu vínculo institucional de origem.
Todas estas práticas são agora fundidas pelo recente decreto do Governo que termina com os estágios remunerados e em turmas próprias, nos modelos de formação inicial de professores realizados nas universidades.
A medida ignora os objectivos do PRODEP III (2000-2006) para a formação de professores; ignora a sobrepopulação de diplomados em áreas como a Economia, o Direito, as Relações Internacionais, as Ciências da Comunicação, a Química ou a Gestão de Empresas, que continuam a formar licenciados com a mesma força com que o faziam há dez anos atrás, no pressuposto de que só os cursos de Ciências Sociais e Humanas formam actualmente professores a mais; ignora todo o trabalho já feito para que seja possível implementar o processo de Bolonha a partir de 2006-07, com a previsão de um 2º ciclo profissionalizante onde se situaria a formação de professores para o novo Ensino Secundário (6 anos de escolaridade); ignora que as Direcções Regionais já tinham atribuído horários para o estágio de 2005-06 e as instituições universitárias formadoras já tinham o próximo ano lectivo organizado nesse pressuposto, não sendo possível reestruturar tudo em menos de três meses.
Quando lemos que a justificação da Ministra da Educação para tal medida é a de “repor a igualdade entre os cursos de formação de professores” nos dois sub-sistemas (politécnico e universitário) e quando se acrescenta que a remuneração dos estagiários tinha um efeito “perverso” porque atraía “jovens para profissões que não são as mais úteis neste momento”, não podemos deixar de lamentar tais equívocos. Primeiro, porque quem conhece efectivamente os dois modelos de formação sabe que eles não são reduzíveis a uma única metodologia; segundo, quem forma professores há muitos anos sabe que nem um único estagiário alguma vez optou por querer ser professor por causa de um vencimento de dois salários mínimos que não chega para pagar metade das despesas (propinas, alojamento, deslocações, inúmeros materiais e bibliografia necessários nesta fase de formação, etc.). Ignora-se que ainda é possível querer ser professor por vocação e não pela motivação de receber dois salários mínimos durante um ano lectivo.
Umas das mais interessantes conclusões do relatório da Comissão Europeia “The Teaching Profession in Europe: Profile, Trends and Concerns. Report I: Initial training and transition to working life of teachers in general lower secondary», diz respeito à necessidade de implementar políticas de formação de professores com padrões de qualidade elevados e cada vez mais rigorosos. Com o anunciado fim dos estágios com turmas próprias na formação inicial de professores para o Ensino Secundário, o Governo ignora igualmente que tal medida contribuirá para a desqualificação completa deste tipo de formação.
A medida mais urgente no sistema educativo português ficou de fora do pacote de poupança: a correcção urgente do quadro de habilitações para a docência, regulamentado por diploma de 1984 e nunca ajustado às reformas curriculares que todas as instituições formadoras de professores desenvolveram desde então. Num sistema em que ainda é possível a um indivíduo que nunca estudou literatura ou linguística portuguesas poder ensinar Português (todos os licenciados em História, Ciências Antropológicas e Etnológicas, Direito, Filosofia, Relações Internacionais, Teologia, etc. são legalmente professores de Português), não se compreende como é que a poupança económica se pode sobrepor à coerência científica e pedagógica que devia existir na organização dos Ensinos Básico e Secundário.
Parece-me inconsequente procurar saber quem persegue o melhor modelo de formação inicial de professores, uma vez provada a individualidade e especificidade dos modelos em vigor, mas não posso deixar de chamar a atenção para os resultados muito positivos obtidos na formação inicial de professores no seio das universidades que possuem este formato educacional. A prática pedagógica adoptada nas universidades com modelos integrados ou com modelos de pós-graduação profissionalizante, porque é entendida como um momento crucial de aprendizagem das competências essenciais para o desempenho docente, e porque é realizada durante um ano lectivo em situação real, assumindo o estagiário o papel de professor a tempo inteiro que cumpre as mesmas tarefas de um professor profissionalizado, é uma prática efectiva da função docente. Neste formato educativo, criam-se momentos de auto-reflexividade crítica sobre o trabalho docente que é absolutamente fundamental, o que me parece difícil de alcançar em formatos de formação inicial de professores que colocam o formando longe da escola e não permitem que viva os problemas diários da actividade docente, onde se incluem, naturalmente, o compromisso com a participação nos projectos educativos das escolas cooperantes e o diálogo permanente com os encarregados de educação dos alunos dessas escolas. Pode-se provar o sucesso deste modelo nos relatórios de auto e heteroavaliação que todos os formandos, orientadores e coordenadores produzem em muitos centros de formação inicial de professores, por exemplo, onde se privilegiam hábitos de reflexão contínua sobre a actividade docente, onde se comprometem os formandos em actividades de formação permanente, onde se criam oficinas de formação para orientadores de estágio, onde existem diversos cursos e seminários de formação de professores, onde se privilegia o contacto directo com as escolas cooperantes, com visitas regulares bilaterais, etc.
O Governo acaba de decretar a nulidade de um processo de formação que tem a seu favor todo um conjunto de experiências de boa prática pedagógica. Não é possível aceitar uma política de formação de professores ditada por questões economicistas, com sacrifício evidente da qualidade da formação profissional. Não é possível aceitar que se reduza a prática pedagógica a um conjunto de observações indirectas combinadas com puras simulações de aula, quando o modelo adoptado nas universidades é desenvolvido com base na observação e responsabilização directas e na leccionação de aulas diárias durante todo um ano lectivo e tem conquistado elevados índices de desenvolvimento profissional. A modalidade de estágio imposta para este tipo de formação de professores abdica da qualidade da formação.
A cegueira política da poupança financeira esqueceu que a mesma medida podia ser tomada sem sacrificar a qualidade, mantendo a estrutura do estágio com turmas próprias a tempo inteiro, apesar da injustiça relativa e muito discutível de tal trabalho não ser remunerado. O que não faz sentido nenhum é aprender a ser professor vendo como é que os outros fazem, como se fosse possível aprender a ser médico apenas vendo os outros a praticar a medicina ou aprender a ser advogado apenas vendo os outros a praticar advocacia. Quem vai desempenhar esta profissão no Ensino Secundário tem que estar ter experimentado, sob a dupla orientação de um professor profissionalizado no terreno e um professor supervisor na instituição formadora, o que é ensinar na vida real. Esse é o tempo em que muitos erros futuros podem ser antecipados e corrigidos, em que é possível colaborar com as escolas onde decorre o estágio e aproximar o que são os últimos desenvolvimentos das diferentes disciplinas científicas da prática pedagógica, em que é possível moldar verdadeiramente a vocação recém-nascida e testada de quem sente, com uma sinceridade que escapa normalmente aos decretos políticos, que vale a pena lutar por esta profissão, num momento difícil em que ela está sujeita a pressões sociais e políticas de toda a espécie. Formar professores ad hoc, como agora ficou decretado, é um erro nacional que pagaremos muito caro em futuras gerações.

Carlos Ceia
13-6-2005

REUNIÃO NACIONAL DE AAEE

A AEFCSH/UNL vem, por este meio, convocar uma reunião nacional de associações de estudantes e dos alunos das licenciaturas via ensino e do ramo de formação educacional a ter lugar no próximo dia 28 de Junho 2005, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, pelas 19 horas.
DAEFCSH/UNL

Thursday, June 23, 2005

CONCENTRAÇÃO FRENTE À ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

A AEFCSH/UNL, conjuntamente com os alunos do primeiro ano da Ramo de Formação Educacional da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, e em colaboração com outras Associações da Academia de Lisboa, irá levar a cabo uma concentração frente à Assembleia da República, no próximo dia 24 de Junho de 2005.
O Programa será o seguinte:
- 10h: assistência, nas galerias da Assembleia da República, do debate mensal com o Primeiro Ministro
- 14h: Concentração frente à Assembela da República, com o mote «ESTÁGIOS DE VERDADE, ENSINO DE QUALIDADE»
DAEFCSH/UNL

Wednesday, June 15, 2005

Moção aprovada em ENDA - situação dos professores estagiários

A seguinte moção foi proposta e aprovada em ENDA (Encontro Nacional de Direcções Associativas), tendo partido da AEFCSH/UNL a sua redacção. Tem sido a partir daqui que, em conjunto com outras associações do país, temos trabalhado e traçado linhas de acção comuns, no que concerne a esta matéria.



MOÇÃO



No enquadramento do pacote de medidas aprovadas, pelo actual Governo, com vista ao combate ao défice, foram aprovadas no Conselho de Ministros do passado dia 2 de Junho as alterações ao Estatuto da Carreira Docente dos Professores do Ensino Básico e Secundário, dentro das quais se inclui a seguinte medida, respeitante aos estágios pedagógicos dos alunos do ramo educacional:

“c) Esclarecem-se alguns aspectos relativos à realização, nos estabelecimentos do ensino não superior, dos estágios pedagógicos do ramo educacional e das licenciaturas em ensino, no que se refere às condições de desempenho do aluno estagiário e a sua ligação jurídica à escola, definindo-se que os estágios assumem a modalidade de prática pedagógica supervisionada, pelo que não dão lugar à atribuição de turma aos alunos estagiários e não conferem direito a qualquer retribuição. (...)”

In Comunicado do Governo, 2 de Junho de 2005

As AAEE`s reunidas em Encontro Nacional de Direcções Associativas, no Porto, nos dias 3, 4 e 5 de Junho entendem que o facto de os estágios passarem a assumir a modalidade de prática pedagógica supervisionada sem direito a qualquer retribuição, merece a profunda oposição, pelas seguintes razões:

- O estágio profissionalizante deve ser dignificado, com a atribuição de uma turma própria, tendo em conta que à educação em particular deve reconhecer-se a importância estratégica e estrutural que coincide com a importância que se deve atribuir à formação dos que vão formar os cidadãos portugueses;

- Num estado que se pretende de direito, todo o trabalho deve ser remunerado, não podendo ser excepção a situação do professor estagiário, que presta serviço público, em escolas públicas;

- O contexto actual da função docente, como é do conhecimento geral, encerra já complicações ao nível da estabilidade geográfica na colocação de candidatos ou de integração nos quadros e dos altíssimos níveis de desemprego. É inadmissível que sobre este contexto recaiam medidas de austeridade que servem unicamente para agudizar uma situação já de si muito grave;

- O estagiário do ramo educacional, licenciado ou não, paga o montante anual de propinas que cada instituição de ensino superior define.

- O estagiário tem encargos decorrentes do estágio, entre os quais a deslocação, alimentação, habitação e algum material pedagógico, até agora assegurados pelo índice remuneratório atribuído pelo exercício do seu trabalho;

- O ano de trabalho do estágio profissionalizante deixará de ser contabilizado para o tempo de serviço, retirando-se mais este reconhecimento do trabalho prestado.

- A Educação e todas as suas vertentes devem ser encaradas como um investimento estratégico para o desenvolvimento do País e não como uma despesa.


Assim, uma vez que as medidas em questão:

a) Constituirão um retrocesso na qualidade da formação dos alunos que seguem a via da docência com estágio profissionalizante e, consequentemente, um grave retrocesso na qualidade de ensino em Portugal;

b) Agravarão os custos suportados pelos alunos, nomeadamente, custos de deslocação, habitação e alimentação, que acumularão com o pagamento da elevada propina actualmente cobrada, colocando os alunos numa situação precária ou mesmo impeditiva na frequência dos estágios;

c) Conduzirão a curto prazo, a uma diminuição do número de alunos a frequentar o ramo educacional das licenciaturas;

d) Foram propostas e irão ser implementadas quase em simultâneo com os concursos para ingresso no estágio, não permitindo aos interessados proceder a qualquer planeamento eficiente e antecipado das suas vidas e do seu plano de formação.


As AAEE`s reunidas em Encontro Nacional de Direcções Associativas, no Porto, nos dias 3, 4 e 5 de Junho, manifestam junto dos membros do Governo, da Assembleia da República e do Presidente da República, o repúdio face ao conjunto de alterações aprovadas na quinta-feira, dia 2, em reunião de Conselho de Ministros.



Proponentes:
AAC, AAUAv, AAUM, FAP, AEFCL, AEFCSH/UNL, AEFLUL, AEFCUP, AEFTP-UCP, AEFLUP


Porto, 5 de Junho de 2005

Situação dos Professores Estagiários

Caros Colegas,

no seguimento da polémica gerada em torno da questão dos estágios para os alunos que estão em licenciaturas do tipo via ensino e ramos de formação educacional, a AEFCSH/UNL vai disponibilizar online, neste blog, toda a informação a que tem tido acesso, de modo a poder informar.
Mais, pedimos aos candidatos a professores estagiários que vão mantendo um contacto constante com a AEFCSH/UNL no que toca a iniciativas que estejam a pensar tomar, de forma a podermos tomar decisões em conjunto, e a não andarmos cada um a remar para seu lado. É urgente unir esforços.
Consultem regularmente este blog, pois tentaremos actualizá-lo sempre que nos chegue qualquer informação pertinente.

DAEFCSH/UNL

Novos Corpos Sociais da AEFCSH/UNL

No seguimento do acto eleitoral, os novos corpos sociais da AEFCSH/UNL ~são, durante o mandato 2005/2006, constituídos pelos seguintes elementos:

Direcção:
Ana Luisa Silva, CPRI
André Carreira, Antropologia
Daniela Jerónimo, CPRI
Filipe Barbosa, Filosofia
Inês Mateus, C. Comunicação
Ivo Barroso, CPRI
Jorge Durões, C. Comunicação
Miguel Pombo, CPRI
Riccardo Averinni, CPRI

Mesa da RGA:
Presidente - Júlio Mendonça, CPRI
1.º Secretário - Hugo Rodrigues, Filosofia, var. História das Ideias
2.º Secretário - Diana Guedes, CPRI

Conselho Fiscal:
Hugo Franco - História
Sérgio Salvaterra - Linguística
Sofia Freitas - GPR

Monday, April 18, 2005

CONVOCATÓRIA


Por deliberação da Reunião Geral de Alunos do passado dia 31 de Março estão convocadas as Eleições para todos os Corpos Sociais da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Direcção, Mesa da RGA e Conselho Fiscal) para o dia 19 de Maio de 2005.


Calendário Eleitoral:

Data Limite para a entrega das listas candidatas: 9 de Maio
Campanha Eleitoral: de 11 a 17 de Maio
Dia de Reflexão: 18 de Maio
Acto Eleitoral: 19 de Maio, das 8h às 20h30, junto à entrada da Faculdade.


Nota: Todos os estudantes interessados na formação de uma Lista devem dirigir-se à Associação de Estudantes a fim de requisitar o Regulamento Eleitoral.

Monday, March 21, 2005

Dia Mundial da Poesia

Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

Reunião Geral de Alunos

RGA
Convocam-se todos os alunos para uma Reunião Geral de Alunos, a realizar no dia 31 de Março, pelas 14h, no Aud. 2, com a seguinte ordem de trabalhos:
1. Informações
2. Marcação de Eleições para os Corpos Sociais da AEFCSH
3. Outros Assuntos
Não faltes!

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Os Dias do Erotismo


"Pornografia, problema ou indústria?", com representantes do BE e da JP

Friday, March 11, 2005

Os Dias do Erotismo


Festa 11 de Março